sábado, 23 de abril de 2011

Psicografia

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Alegoria que representa, segundo a ótica espírita, o Médium Chico Xavier, psicografando uma mensagem do Espírito de Emmanuel
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Psicografia (do grego, escrita da mente ou da alma), segundo o vocabulário espírita, é a capacidade atribuída a certos médiuns de escrever mensagens ditadas por Espíritos.
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Segundo a doutrina espírita, a psicografia seria uma das múltiplas possibilidades de expressão mediúnica existentes. 
Allan Kardec classificou-a como um tipo de manifestação inteligente, por consistir na comunicação discursiva escrita de uma suposta entidade sobrenatural ou espírito, por intermédio de um homem.
O mecanismo de funcionamento da psicografia, ainda segundo Kardec, pode ser consciente, semi-mecânico ou mecânico, a depender do grau de consciência do médium durante o processo de escrita.
No primeiro caso, o menos passível de validação experimental, o médium tem plena consciência daquilo que escreve, apesar de não reconhecer em si a autoria das ideias contidas no texto. 
Tem a capacidade de influir nos escritos, evitando informações que lhe pareçam inconvenientes ou formas de se expressar inadequadas.
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No segundo, o médium poderia até estar consciente da ocorrência do fenômeno, perceber o influxo de ideias, mas seria incapaz de influenciar o texto, que basicamente lhe escorreria das mãos. 
O impulso de escrita é mais forte do que sua vontade de parar ou conduzir voluntariamente o processo.
No terceiro caso, o mais adequado para uma averiguação experimental controlada, o médium poderia escrever sem sequer se dar conta do que está fazendo, incluindo-se aí a possibilidade de conversar com interlocutores sobre determinado tema enquanto psicografa um texto completamente alheio ao assunto em pauta . 
Isso porque, segundo Kardec, esses médiuns permitiriam ao espírito agir diretamente sobre sua mão ou seu braço, sem recorrer à mente.
Além da doutrina espírita, há várias correntes místicas e religiosas que admitem a possibilidade da ocorrência desse fenómeno, como a Umbanda e a Teosofia.
Entre os textos ditos psicografados encontram-se obras atribuídas a autores conhecidos — uns adeptos, em vida, de doutrinas compatíveis com esta prática, como Allan Kardec ou Arthur Conan Doyle, outros nem tanto, como Camilo Castelo Branco ou Albert Einstein.
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Citação de bibliografia psicografada
A Classificação das obras psicografadas, segundo o CIP-Brasil (do Sindicato Nacional dos Editores de Livros) é feita no tema Espiritismo, devendo ser citado como autor aquele que assina a obra, seguida da indicação de que foi um ser espiritual. 
Por exemplo: Ângelis, Joanna de (Espírito).
Já para citações, segue-se o modelo: título, autor espiritual, médium, local, editora, ano e edição (da segunda em diante), como se vê no modelo:
Plenitude/ Joanna de Ângelis; psicografado por Divaldo Pereira Franco - Niterói, Arte & Cultura, 1991.
Em bibliotecas de instituições espíritas a autoria de obras psicografadas é atribuída ao espírito que as teria ditado; em bibliotecas normais a autoria é atribuída ao médium, com a referência à alegada autoria do espírito sendo indicada sob "Observações".
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Aceitação da autoria
Existem pesquisadores e estudiosos que afirmam ser a psicografia um caso de ilusão ou fraude, visto que ninguém até o momento conseguiu comprovar que as obras psicografadas por médiuns não sejam fraudes.
O pesquisador da Universidade Estadual de Londrina Carlos Augusto Perandréa estudou as assinaturas dos textos psicografados por Chico Xavier utilizando as mesmas técnicas com que avalia assinatura para bancos, polícias e o Poder Judiciário, a grafoscopia. 
O resultado do seu estudo indicou que as assinaturas nos textos psicografados eram semelhantes às assinaturas destes quando vivos.
Houve casos em que médiuns foram levados a psicografar o relato de uma pessoa que estaria morta quando essa na verdade não estava . 
No entanto, seguindo a Doutrina Espírita, é possível explicar de maneira racional a razão pela qual um médium supostamente poderia psicografar mensagens de pessoas vivas. 
Partindo do ensinamento coletivo dos espíritos que cada um tem ao seu lado um espírito designado por Deus para nos auxiliar na experiência corpórea, então chamado guia espiritual, é possível que o espírito-guia do encarnado tenha dirigido a psicografia, ou até mesmo comunicado de maneira espiritual, os pensamentos da mulher.
 Além disso, é possível que um espírito qualquer entre em contato com o médium, realizando a psicografia de seus pensamentos, fazendo-se passar por outro. 
Uma coisa é certa, o médium é apenas um ferramenta da psicografia, aos espíritos é que cabe a tarefa de transmitir suas mensagens.
É famoso o caso em que o Sr. João Ghignone, então presidente da Federação Espírita do Paraná, visitando o médium Chico Xavier, teria recebido deste a mensagem de que o espírito de sua mãe estava presente e desejava abraçá-lo. 
Ghignone, sabendo que sua mãe estava viva e morando ainda no Paraná, estranhou a frase de Chico. Entretanto, segundo relata o próprio João Ghignone, ao voltar ao hotel teria recebido a mensagem de que sua mãe falecera inesperadamente.
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A psicografia nos tribunais
No Brasil, em alguns casos, a psicografia foi utilizada como prova em tribunal. Em pelo menos quatro casos envolvendo homicídio: num homicídio em Goiás, cometido a 10 de fevereiro de 1976, cuja vítima foi Henrique Emmanuel Gregoris;
em outro, também em Goiás, a 8 de maio de 1976; em um ocorrido no Mato Grosso do Sul, a 1 de março de 1980; e em um no Paraná, cometido a 21 de outubro de 1982.
Um dos casos mais recentes registrou-se em maio de 2006, em Porto Alegre (RS), tendo a ré, Iara Marques Barcelos sido inocentada do assassinato do ex-amante, Ercy da Silva Cardoso, graças a uma carta que teria sido ditada pelo falecido.
 Mais recentemente, em 17 de maio de 2007, o julgamento do réu, Milton dos Santos, pelo assassinato de Paulo Roberto Pires (o "Paulinho do Estacionamento") em abril de 1997, foi suspenso devido a uma carta recebida pelo médium Rogério Leite em uma sessão espírita realizada em 2004, na qual Paulinho inocenta o acusado. 
Fotografias da sessão espírita foram anexadas aos autos do processo.
No entanto, o advogado Roberto Selva da Silva Maia indicou em um artigo que os documentos psicografados podem ser aceitos no tribunal como documento particular, mas não como prova judicial. 
Isso se dá porque a lei estabelece que a morte extingue a personalidade humana, logo um morto não poderia gerar documento legal. 
Segundo, a psicografia depende da aceitação de premissas religiosas, e o judiciário não é religioso visto que nosso estado é laico e, por fim, não haveria forma de se usufruir do princípio do contraditório e da ampla defesa .
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Psicografia e Psicopictografia
A Psicopictografia consistiria na manifestação mediúnica em que, em lugar da escrita, haveria a produção de imagens, desenhos ou pinturas de quadros.
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Fonte de Pesquisa:
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