quarta-feira, 2 de março de 2011

Música Cigana

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Desde cedo, foi reconhecido o dom dos ciganos para a música instrumental, sobretudo o violino: Iom Voicu é cigano, como também o pianista Gyorgy Cziffra.
 Mas não existe propriamente uma música cigana.
 As influências sofridas foram muitas e as melodias puramente ciganas são hoje raríssimas. 
Existe um estilo típico de execução, o molto rubato, que influiu sobre músicos importantes como o húngaro Franz Liszt, o alemão Johannes Brahms (ambos do século XIX) e vários outros músicos. 
A influência trazida do oriente é muito forte na música e na dança cigana.
 A música e a dança cigana possuem influência hindu, russa, árabe, húngara, romena e espanhola.
 É especialmente desses três últimos países que são originários os músicos ciganos. 
Mas a maior influência na música e na dança cigana dos últimos séculos é sem dúvida espanhola, refletida no ritmo dos ciganos espanhóis que criaram um novo estilo baseado no flamenco.
 Beethoven buscou na música cigana inspiração para muitas de suas obras. 
Tanto a música como a dança cigana sempre exerceram fascínio sobre grandes compositores, pintores e cineastas. Há exemplos na literatura, na poesia e na música de Georges Bizet, Manuel de Falla e Carlos Saura que mostram nas suas obras muito do mistério que envolve a arte, a cultura e a trajetória desse povo. 
Tanto na península Ibérica como na América hispânica, sua contribuição às artes – especialmente música, canto e dança – foram consideráveis. 
Destaca-se a esse respeito a música e a dança flamenca e o canto dos ciganos andaluzes. 
No Brasil, apesar da presença dos ciganos desde o século XVI, eles têm pouca influência na música popular ou no folclore. 
Aqui, a música mais tocada e dançada pelos ciganos é a música Kaldarash, própria para dançar com acompanhamento de ritmo das mãos e dos pés e sons emitidos sem significação para efeito de acompanhamento.
 Essa música é repetida várias vezes enquanto as moças ciganas dançam.
 Alguns outros grupos de ciganos no Brasil conservam a tradicional música e dança cigana húngara, um reflexo da música do leste europeu com toda influência do violino, que é o mais tradicional símbolo da música cigana. 
Ritmos ciganos: 
- o ritmo baladi que vem do Egito envolve movimentos com objetos ciganos.
 Alguns movimentos envolvem lenços, facas e até mesmo garrafas de bebidas nas mãos; 
- a Zapaderin, dança secreta das ciganas, que invoca o amor do cigano. 
A cigana, através da dança invoca espiritualidade a sua força; 
- Manouche, Sinti, Kauderashs, todos trazem sua dança e seus belíssimos ritmos que são transformados numa única experiência artística e musical, trazendo do íntimo da mulher a sensualidade, a alegria e a beleza de sua força interior. 
Portanto, os ciganos possuem diferentes tipos de música para diferentes ocasiões.
Flamenco
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O cigano radicado na Andaluzia passou a ser conhecido como flamenco na Idade Média. 
Com o tempo, o termo passou a designar grande parte do folclore andaluz e das zonas vizinhas, especialmente a música e a dança. 
Flamenco é a arte do canto e da dança própria dos ciganos espanhóis da Andaluzia, que se propagou a outras regiões da Espanha e tornou-se comum nas cidades mediterrâneas e grandes núcleos urbanos, como Madri e Barcelona.
 Embora seja de fundo árabe, está estreitamente ligado aos ciganos, nos quais encontrou seus verdadeiros intérpretes. 
A essência do flamenco é o canto, freqüentemente acompanhado de violão. 
Os cantos e bailes flamencos constituem arraigada tradição do povo andaluz, que neles traduz seus momentos de alegria ou tristeza, extravazando sentimentos, sempre impregnados das idéias de amor e morte. Atualmente o flamenco encontra-se bastante comercializado, fazendo parte de espetáculos teatrais. 
As origens do flamenco remontam às danças e cantos pré-cristãos do sul da península Ibérica. 
Esse substrato nutriu-se das contribuições sucessivas de vários povos, especialmente árabes e judeus. 
A imigração de povos ciganos no século XV foi dando contornos definitivos a essa arte, reconhecida como tal desde o século XVIII, quando as canções ganharam letra.
 A partir do século XIX, os ciganos começaram a dançar e cantar profissionalmente nos cafés. 
Surgiu assim a figura do guitarrista, acompanhante habitual do cantaor, nome que se dá ao vocalista. 
O ritmo da dança e do sapateado é marcado por palmas, gritos de incentivo ou reprovação denominados jaleo, estalar de dedos e unhas (para os homens) e toque de castanhola (para as mulheres), todos componentes essenciais do espetáculo. 
Contudo, o aproveitamento turístico dá a essas manifestações artísticas aspectos frequentemente menos genuínos do que aqueles que se encontram habitualmente nos ciganos. 
Dos gêneros mais antigos do flamenco, como as nostálgicas cañas e soleares, derivaram formas mais modernas e jocosas.
 A siguiriya, de raízes ancestrais, e a saeta, lamento pela paixão de Cristo, são outras modalidades do flamenco.
 A partir da segunda metade do século XX, o flamenco passou a sofrer diversas influências, que as correntes tradicionais tentam evitar para não serem desvirtuadas. 
O cantor José Meneses, a bailarina La Chunga e o guitarrista Manitas de Plata são artistas flamencos de destaque. 
***
Por André Souza 
Bibliografia: 
- Enciclopédia Barsa, 1999, Rio de Janeiro – São Paulo, macropédia, volumes 1 (Andaluzia), 4 (Ciganos), 6 (Flamenco). 
- Enciclopédia Mirador, 1995, Rio de Janeiro – São Paulo, volumes 5 (Cigano), 7 (Dança). 
- Enciclopédia Delta Universal, Rio de Janeiro, volume 4 (Cigano). 
Todos os créditos ao site abaixo:

Um comentário:

  1. Bom encontrar algo sobre essa cultura cigana de Andaluzia.

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