sexta-feira, 1 de abril de 2011

Yewá

*
África
Yewa ou Ewá, Orixá do rio Yewa, que fica na antiga tribo Egbado (atual cidade de Yewa) no estado de Ogun na Nigéria. 
Orixá identificada no jogo do merindilogun pelo odu obeogunda.
Verger conta que na Nigéria, Abimbola publicou um itan Ifá (história de Ifa), falando "que de certa feita estando Iyewa à beira do rio, com um igba (gamela) cheio de roupa para lavar, avistou de longe um homem que vinha correndo em sua direção. 
Era Ifá que vinha esbaforido fugindo de Iku (a morte). 
Pedindo seu auxílio, Iyewa despejou toda roupa no chão, que se encontrava no igba, emborcou-o em cima de Ifa e sentou-se.
 Daí a pouco chega a morte perguntando se não viu passar por ali um homem e dava a descrição. 
Iyewa respondeu que viu, mas que ele havia descido rio abaixo e a morte seguiu no seu encalço.
 Ao desaparecer, Ifa saiu debaixo do igba e levou Iyewá para casa, a fim de torná-la sua mulher."
*
*
Brasil
Ewá, Euá, Iyewa, Orixá feminino, é a divindade do rio e da lagoa Iyewà na Nigéria. 
Uma das iabás, considerada ora irmã de Iansã, ora esposa de Oxumarê. 
Seu nome significa maezinha do caráter.
Verger em suas pesquisas diz: "Na Bahia é cultuada somente em três casas antigas, devido à complexidade de seu ritual. 
As gerações mais novas não captaram conhecimentos necessários para a realização do seu ritual, daí se ver, constantemente, alguém dizer que fez uma obrigação para Iyewa , quando na realidade o que foi feito é o que se faz normalmente para Oxum ou Oyá." 
Em 1981, houve uma saída de Iyewá no Ilê Axé Opô Afonjá, após mais de 30 anos da iniciação da anterior.
As cores de seus colares (fio-de-contas) são o vermelho e azul(tranparentes). 
Usa como insígnias a âncora e a espada, ofá que utiliza na guerra ou na caça, brajás de búzios, roupa enfeitada com iko (palha da costa) tingida. 
Gosta de pato, também de pombos, odeia galinhas.
 Há um vodun daomeano com o mesmo nome, cultuado em São Luís do Maranhão. 
Saudação – "Riró!".
*
Ficheiro:Ewa.jpg
*
Ewá - escultura de Carybé em madeira, em exposição no Museu Afro-Brasileiro, Salvador, Bahia, Brasil
*
Arquétipo
É raro encontrar uma filha de Yewá. 
Elas são valentes e guerreiras, muito belas e conquistadoras. 
Sabem o que querem e vão até o fim. 
São prestativas e se preservam quanto a moral e educação, ou expor seus sentimentos.
*
Lendas:
O seu grande ewó (coisa proibida) é a galinha. 
Corre a lenda entre as casas antigas da Bahia que cultuam Iyewá, que certa vez indo para o rio lavar roupa, ao acabar, estendeu-a para secar. 
Nesse espaço veio a galinha e ciscou, com os pés, toda sujeira que se encontrava no local, para cima da roupa lavada, tendo Iyewá que tornar a lavar tudo de novo. 
Enraivecida, amaldiçoou a galinha, dizendo que daquele dia em diante haveria de ficar com os pés espalmados e que nem ela nem seus filhos haveriam de comê-la, daí, durante os rituais de Iyewá, galinha não passar nem pela porta. 
Verger encontrou esse ewó na África e uma lenda idêntica.
Conta-se que Iyewá era uma linda virgem que se entregou a Xangô, despertando o ciúme e a ira de Iansã. Para fugir da senhora dos ventos e tempestades, se escondeu nas florestas com Oxóssi, tornando-se uma guerreira e caçadora.

*
*
Elementos que rege
Rege as neblinas e nevoeiros na natureza.
*
Cuba
Lydia Cabrera, antropóloga cubana escreve sobre Yewa e refere-se à Yemayá-Olokún.
*
Ewa não é uma orixá, sim uma eledá, como muitas outros que acreditamos ser um orixá. 
Lembro que o titulo de orixá pertence ao orixá Ori, e a nenhum mais. 
Yemanjá tem o de Yia-aja-ori, que não é a mesma coisa de orixá, como podemos pensar numa primeira idéia.
 Mais é aparece nos itans de Ifá em certas ocasiões quando do nascimento, quando dos poderes dela, já mocinha, depois com o primeiro namoro e como amante se assim podemos dizer; quando ela começa uma vida sexual ativa que nos informa que tem ela um caso com: 3 oxalá novo o senhor dos Bambus amarelos, o oxalá que vem avisar que o tempo acabou, depois com Oxoguian, Exu, Oxumaré, com 2 dos Odes, Orunmilá e por ultimo ela aparece como esposa de Omolu. 
*
*
Em seu nascimento ela aparece quando Ogun violenta Nanã, na frente do povo dela, mostrando que ele invadiu a aldeia dela, lembramos que essa lenda começa quando não lhe proíbe a simples pelas terras dela, Nanã faz a lama subir até quase matar Ogun, ele escapa e a fere com uma lança, razão pela qual ela não gosta de metal em suas coisas pois sua carne foi cortada por um metal. 
Ogun se organiza e trava um guerra com Nana sem precedentes, onde sai vitorioso invadindo as terras dela e dominando tudo, por final junta todo o povo de Nanã no meio da aldeia e ali tem relações com ela na frente do povo dela, num demonstração que havia subjugou a rainha. 
Desta relação nasceu Ewá.
*
*
 Uma linda menina, o único filho perfeito que Nanã teve.
 Daí ela mandar colocar acima da porta de sua aldeia um iba de Ogun. Ewa não tem nada, pois Nanã teria já dado distribuído aos seus filhos, Omolu e Oxumaré, seus filhos doentes, mais Oxumaré se apegou a irmã e com ela combinou que cada um iria dirigir o Arco-íris por um tempo, daí ser ele o arco íris um tempo dirigido por Ewá e outro por Oxumaré (não é 6 meses). 
Oxumare dá a Ewa a cor branca do arco íris, pois ela é um santo balle.
Ewa tinha brigas de muitos querendo casar com ela, quando nova pela beleza. 
Ela seduziu Oxalufan que vivia com Nanã. 
*
*
Tendo ai o seu primeiro contato sexual. 
Ela tem suas cores o roxo e branco, enquanto Iku é roxo, preto e branco. 
Conta-se que Ewá recebeu de Ogun o direito de usar uma lâmina que ela esconde entre os seios, cujo o cabo é madeira, que esse fica a mostra. 
Ele mostra a pureza da morte onde devemos nos preparar, pois a vida é uma preparação para esse dia onde vamos prestar conta de tudo que fizemos dela é a expressão não deixe que outro tome seu lugar na morte, pois o julgamento dele será pior que o seu. 
Ewá dá mais um tempo a pessoa para se aguardar uma pessoa de longe chegar antes de dar o sono da morte.
 Ewá vem apenas para quem é digno, daí ter que ter a pureza diante dela.
 Quem não é puro não merece a boa morte. 
Ela é versátil em venenos, onde tentou envenenar alguns orixás, inclusive Exu, que não foi bem sucedida.
*
*
 Consegui subjulgar Orunmilá e mante-lo como escravo dela por muito tempo, nesse período Oxumaré foi babalawô usando as cores, verde, amarelo e preto, ela travou várias guerra com seu irmão Omolu, onde por último ele com um tapa a venceu tirando toda a carga de maldade dela. 
E venceu a maldição dela dada por Oxalá da Bambuzal, onde ela de dia era uma velha e a noite era um linda mulher. 
Ela já casada com omolu, que ela tem muito medo até hoje foi mãe de todos os filhos dele. 
Já como esposa de Omolu ela ajudou um rapaz a fugir da morte. 
Invocando ela ser esposa de Omolu. 
Ele rege o sono da morte. 
Os venenos onde com ele matou os que a perseguia e quem ela não gostava.
Entretanto existe um fato em Ifá Xorokê, é um guerreiro feiticeiro, que não é Ogun e não é Exu. 
*
*
No candomblé é cultuado como Ogun, que seria o Irominã (o Ogun que come com exu e o exu que come com Ogun, que a tradução seria meu nome é fogo) dizem que é um Ogun e um Exu rebaixando, Xorokê é um santo extremamente sagaz e ligado a torturas, desastres de grandes proporções. 
Enquanto Ogun quer ver o inimigo olhos nos olhos o Xorokê não tem isso. 
Ele tem requinte de maldade, gosta de acumular riquezas e bens materiais e é muito vaidoso.
 E só gosta de coisas boas e que custem muito. 
Tem muita ostentação. 
Coisas simples ofende o Xorokê.
 Pune seus filhos com grandes desgraças, daí muitos terem medo deste santo. 
Não aceita que seja questionado em nada. 
Suas cores e azulão e vermelho. 
Ao contrário de Ogun que é verde. 
Pode usar um arpão, adaga, ofa, cabaças. 
Cobre o rosto. 
Em alguns barracões dizem ser ela filha de Obatalá. 
Entretanto em Ifá não achamos amparo para isso.
*
—Lydia Cabrera Mythologie Vodou, Piétonville, 1950.
*
Fonte de Pesquisa:

Nanã Buruku

*
Nanã Buruku (ou Nanã, Nanã Buluku, Nanã Buru, Nanã Boroucou, Nanã Borodo, Anamburucu, Nanã Borutu), é um nome pertinente a um vodun e orixá das chuvas, dos mangues, do pântano, da lama (barro molhado), senhora da Morte, e responsável pelos portais de entrada (reencarnação) e saída (desencarne). Identificado no jogo do merindilogun pelos odu ejilobon e representado materialmente pelo candomblé através do assentamento sagrado denominado igba nanã.
*
Ficheiro:Nanan.jpg
*
Nanã - escultura de Carybé em madeira (Museu Afro-Brasileiro, Salvador (Bahia), Brasil.
*
Em sua passagem pela Terra, foi a primeira Iyabá e a mais vaidosa, em nome da qual desprezou seu filho primogênito com Oxalá, Omulu, por ter nascido com várias doenças de pele. 
Não admitindo cuidar de uma criança assim, acabou abandonando-o numa praia, Iemanjá o achou abandonado, quase morrendo e o curou e o criou como se fosse sua mãe, dando todo o amor e carinho. Sabendo do que Nanã fez, Oxalá condenou-a a ter mais filhos, os quais nasceriam anormais (Oxumarê, Ewá e Ossaim), e a expulsou do reino, ordenando-lhe que fosse viver num pântano escuro e sombrio, lugar onde pensou em abandonar seu pobre filho, mas desistiu, pois na praia seu filho morreria mais rápido.
*
*
Nanã é dona de um cajado, o ibiri. 
Suas roupas parecem banhadas em sangue, Orixá das águas paradas que mata de repente, ela mata uma cabra sem usar faca. 
É considerada o Orixá mais antigo do mundo.
 Quando Orunmilá chegou aqui para frutificar a terra, ela aqui já estava. 
Nanã desconhece o ferro por se tratar de um Orixá da pré-história, anterior à idade do ferro.
 O termo "nanan" significa raiz, aquela que se encontra no centro da terra. 
Nanã tornou-se uma das Iyabás mais temidas, tanto que em algumas tribos quando seu nome era pronunciado todos se jogavam ao chão. 
Senhora das doenças cancerígenas, está sempre ao lado do seu filho Omulu.
 Protetora dos idosos, desabrigados, doentes e deficientes visuais. 
É um vodun, segundo alguns pesquisadores, originário de Dassa-Zoumé, é uma velha divindade das águas. Pierre Verger encontrou um Templo Dassa-Zoumé e o sacerdote do seu culto.
*
*
A área que abrange seu culto é muito vasta e parece estender-se de leste, além do rio Níger, até a região Tapá, a oeste, além do rio Volta, nas regiões dos "guang", ao nordeste dos Ashanti.
Entre os fon e mahi ela é considerada uma divindade hermafrodita, anterior a Mawu e Lissá, aos quais teria dado origem em associação com a "serpente do Universo" Dan Aido Hwedo. 
Para os ewes e minas, ela é às vezes vista como um vodun masculino (Nana Densu), esposo da grande mãe das águas Mami Wata.
*
Ficheiro:Assentamento do Orixa Nanã,.JPG
*
Assentamento de Nanã - candomblé.
*
Brasil
Nanã Buruku é cultuada no Candomblé Jeje como um vodun e no Candomblé Ketu como um orixá da chuva, das águas paradas, mangue, pântano, terra molhada, lama e considerada a mãe dos orixás Obaluaiyê, Iroko, Osanyin, Oxumarê e Yewá.
Nanã é chamada carinhosamente de "Avó", por ser usualmente imaginada como uma anciã. 
É cultuada em todo o Brasil nas religiões Afro-brasileiras. 
Seu emblema é o Ibiri que caracteriza sua relação com os espíritos ancestrais. 
Como "Mãe-Terra Primordial" dos grãos e dos mortos, Nanã Buruku poderia ser equiparada à deusa greco-romana Deméter-Ceres-Cíbele.
A existência do culto de Nanã Buruku é atribuída a tempos remotos, anteriores à descoberta do ferro, por isso, em seus rituais, não costumam ser utilizados objetos cortantes de metal.
O baobá ("Adansonia digitata L.", em iorubá ossê e em Fon akpassatin) é sua árvore sagrada.
No sincretismo afro-católico, Nanã Boroquê, como é chamada na Umbanda, é equiparada à Sant'Ana.
Nanã no Batuque - RS: Nanã no Batuque (Religião Afro-Gaúcha) é a Iemanjá mais velha de todas, embora não seja Iemanjá.
*
*
Arquétipo
*
São conservadores e presos aos padrões convencionais estabelecidos pelos homens. 
Passam aos outros a aparência de serem calmos, mudando rapidamente de comportamento, tornando-se guerreiros e agressivos; quando então, podem ser perigosos, o que assusta as pessoas. 
Levam seu ponto de vista às últimas conseqüências, tornando teimosia. 
Quando mãe, são apegadas aos filhos e muito protetoras. 
São ciumentas e possessivas.
 Exigem atenção e respeito, são pouco alegre e não gostam de muita brincadeiras. 
Os filhos deste grande Orixá são majestosos e seguros nas ações e procuram sempre o caminho da sabedoria e da justiça.
*
Ficheiro:Nana Buruku.jpg
*
Qualidade de Nanã
*
Igbayin
Buruku
Igbónán
Asayio
Asanan
Insele
Tinoloko
Ajaosi
Ìkure
*
*
Dia: sábado 
Data: 26 de Julho (dia dos avós no Brasil) 
Metal: Latão
 Cores: Branco e azul ou preto e roxo
 Comidas: Aberém, mugunzá, mostarda e taioba 
Símbolos: Ibiri e bradjá 
Elementos: Águas paradas e lamacentas 
Região da África: Ex-Daomé 
Pedra: Ametista 
Folhas: Folha-da-costa, folha de mostarda, manacá, ojú oro, oxibatá, papoula roxa, quarana.
 Odu que Rege: Odilobá 
Domínios: Vida e morte, saúde e maternidade.
 Saudação: Salúba!
*
*
As lendas de Nanã
*
Afirma-se que Nanã era a rainha de um povo e que tinha poder sobre os mortos. 
Para roubar esse poder, Oxalá desposou-a, mas não ligava para ela. 
Nanã, então, fez um feitiço para ter um filho. 
Tudo aconteceu como ela queria mas, por causa do feitiço, o filho, Omolu nasceu todo deformado. Horrorizada, Nanã jogou-o no mar para que morresse. 
Como castigo pela crueldade, quando Nanã engravidou de novo, Orunmilá disse que o filho seria lindo mas se afastaria dela para correr mundo. 
Assim, nasceu Oxumaré, que durante seis meses do ano vive no céu como o arco-íris, e nos outros seis é uma cobra que se arrasta no chão.
*
*
Em outra lenda, conta-se que, na aldeia chefiada por Nanã, quando alguém cometia um crime, era amarrado a uma árvore. 
Nanã então chamava os Eguns para assustá-lo. 
Ambicionando esse poder, Oxalá foi visitar Nanã e deu-lhe uma poção que fez com que ela se apaixonasse por ele. 
Nanã dividiu o reino com ele, mas proibiu a sua entrada no Jardim dos Eguns. 
Oxalá então espionou-a e aprendeu o ritual de invocação dos mortos. 
Depois, disfarçando-se de mulher com as roupas de Nanã, foi ao jardim e ordenou aos Eguns que obedecessem "ao homem que vivia com ela" (ele mesmo).
 Quando Nanã descobriu o golpe, quis reagir mas, como estava apaixonada, acabou aceitando deixar o poder com o marido. 
Hoje no Culto aos Egungun só os homens são iniciados para invocar os Eguns.
*
*
Uma terceira lenda refere que, certa vez, os Orixás se reuniram e começaram a discutir qual deles seria o mais importante. 
A maioria apontava Ogum, considerando que ele é o Orixá do ferro, o que deu à humanidade o conhecimento sobre o preparo e uso das armas de guerra, dos instrumentos para agricultura, caça e pesca, e das facas para uso doméstico e ritual. 
Somente Nanã discordou e, para provar que Ogum não era tão importante assim, torceu com as próprias mãos o pescoço dos animais destinados ao sacrifício em seu ritual.
 É por isso que os sacrifícios para Nanã não podem ser feitos com instrumentos de metal.
*
Curiosidades
*
A cantora Daniela Mercury fez uma canção em homenagem à Iyalorixá Cleusa Millet, filha de Mãe Menininha do Gantois, no álbum Sol da Liberdade. 
O nome da canção é "Dara" e é interpretada em dueto com a cantora beninense Angélique Kidjo.
 Mãe Cleusa era filha de Nanã, e a sua voz ficou imortalizada em disco de Maria Bethania.
*
Fonte de Pesquisa:

Iemanjá

Ficheiro:Orixa Yemanja Orossi.JPG
*
Representações de Iemanjá no Candomblé: a de verde, Asèssu, a de azul, Assabá.
*
Iyemanjá, Yemanjá, Yemaya, Iemoja "Iemanjá" ou Yemoja, é um orixá africano, cujo nome deriva da expressão Iorubá "Yèyé omo ejá" ("Mãe cujos filhos são peixes"), identificada no jogo do merindilogun pelos odu ejibe e ossá, representado materialmente e imaterial pelo candomblé, através do assentamento sagrado denominado igba yemanja.
*
*
África
*
Na Mitologia Yoruba, a dona do mar é Olokun que é mãe de Yemanjá, ambas de origem Egbá.
Yemojá, que é saudada como Odò (rio) ìyá (mãe) pelo povo Egbá, por sua ligação com Olokun, Orixá do mar (masculino (em Benin) ou feminino (em Ifé)), muitas vezes é referida como sendo a rainha do mar em outros países. 
Cultuada no rio Ògùm em Abeokuta
*
História
Pierre Verger no livro Dieux D'Afrique registrou: "Iemanjá, é o orixá dos Egbá, uma nação iorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemanja. 
Com as guerras entre nações iorubás levaram os Egbá a emigrar na direção oeste, para Abeokuta, no início do século XIX. 
Não lhes foi possível levar o rio, mas, transportaram consigo os objetos sagrados, suportes do axé da divindade, e o rio Ògùn, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de Iemanjá. Este rio Ògùn não deve, entretanto, ser confundido com Ògún, o orixá do ferro e dos ferreiros."
*
*
Brasil
*
No Brasil, a orixá goza de grande popularidade entre os seguidores de religiões afro-brasileiras, e até por membros de religiões distintas.
Em Salvador, ocorre anualmente, no dia 2 de Fevereiro, a maior festa do país em homenagem à "Rainha do Mar". 
A celebração envolve milhares de pessoas que, trajadas de branco, saem em procissão até ao templo-mor, localizado próximo à foz do rio Vermelho, onde depositam variedades de oferendas, tais como espelhos, bijuterias, comidas, perfumes e toda sorte de agrados.
Outra festa importante dedicada a Iemanjá ocorre durante a passagem de ano no Rio de Janeiro.
 Milhares de pessoas comparecem e depositam no mar oferendas para a divindade. 
A celebração também inclui o tradicional "Banho de pipoca" e as sete ondas que os fiéis, ou até mesmo seguidores de outras religiões, pulam como forma de pedir sorte à Orixá.
Na Umbanda, é considerada a divindade do mar, além de ser a deusa padroeira dos náufragos, mãe de todas as cabeças humanas.
*
*
Iemanjá, rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. 
Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta.
(Jorge Amado)
*
*
Além da grande diversidade de nomes africanos pelos quais Iemanjá é conhecida, a forma portuguesa Janaína também é utilizada, embora em raras ocasiões. 
A alcunha, criada durante a escravidão, foi a maneira mais branda de "sincretismo" encontrada pelos negros para a perpetuação de seus cultos tradicionais sem a intervenção de seus senhores, que consideravam inadimissíveis tais "manifestações pagãs" em suas propriedades.
 Embora tal invocação tenha caído em desuso, várias composições de autoria popular foram realizadas de forma a saudar a "Janaína do Mar" e como canções litúrgicas.
Pela primeira vez em dois de Fevereiro de 2010 uma escultura de uma sereia negra, criada pelo artista plástico Washington Santana, foi escolhida para representação de Iemanjá no grande e tradicional presente da festa do Rio Vermelho, Salvador, Bahia em homenagem à Àfrica e a religião afrodescendente.
*
Ficheiro:Yemanja.jpg
*
Yemanja - escultura de Carybé em madeira (Museu Afro-Brasileiro, Salvador (Bahia), Brasil.
*
Arquétipo
Seus filhos e filhas são serenos, maternais, sinceros e ajudam a todos sem exceção. 
Gostam muito de ordem, hierarquia e disciplina. 
São ingênuos e calmos até demais, mas quando se enfurecem são como as ondas do mar, que batem sem saber onde vão parar. 
São vaidosos mais com os cabelos. 
Suas filhas sabem seduzir e encantar com a beleza e mistérios de uma sereia. 
Geralmente as filhas de Iemanjá têm dificuldade em ter filhos, pois já são mães de coração de todos.
*
*
Qualidades
*
Yemowô - que na África é mulher de Oxalá,
*
Iyamassê - é a mãe de Xàngó,
*
Yewa - rio africano paralelo ao rio Ògún e que frequentemente é confundido em algumas lendas com Yemanjá,
*
Olossa - lagoa africana na qual desaguam os rios Yewa e Ògún,
*
Iemanjá Ogunté - que casa com Ògún Alagbedé,
*
Iemanjá Asèssu - muito voluntariosa e respeitável,
*
Iemanjá Saba ou Assabá - está sempre fiando algodão é a mais jovem.
*
Dia: Sábado.
Data: 2 de fevereiro.
Metal: prata e prateados.
Cor: prata transparente, azul, verde água e branco.
Comida: manjar branco, acaçá, peixe de água salgada, bolo de arroz, ebôya, ebô e vários tipos de furá.
Arquétipo dos seus filhos: voluntarioso, fortes, rigorosos, protetores, caridosos, solidários em extremo, ingênuos, amigo, tímido, vaidosos com os cabelos principalmente, altivos, temperamentais, algumas vezes impetuosos e dominadores, e tem um certo medo do mar.
Símbolos: abebé prateado, alfange, agadá, obé, peixe, couraça, adê, braceletes, e pulseiras.
*
Ficheiro:Oferenda para Yemanja.JPG
*
Oferenda para Iemanjá.
*
Sincretismo
*
Existe um sincretismo entre a santa católica Nossa Senhora dos Navegantes e a orixá da Mitologia Africana Iemanjá. 
Em alguns momentos, inclusive festas em homenagem as duas se fundem. 
No Brasil, tanto Nossa Senhora dos Navegantes como Iemanjá tem sua data festiva no dia 2 de fevereiro. Costuma-se festejar o dia que lhe é dedicado, com uma grande procissão fluvial.
Uma das maiores festas ocorre em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, devido ao sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes.
 No mesmo estado, em Pelotas a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes vai até o Porto de Pelotas. Antes do encerramento da festividade católica acontece um dos momentos mais marcantes da festa de Nossa Senhora dos Navegantes em Pelotas, que em 2008 chegou à 77ª edição. 
As embarcações param e são recepcionadas por umbandistas que carregavam a imagem de Iemanjá, proporcionando um encontro ecumênico assistido da orla por várias pessoas.

*
*
No dia 8 de dezembro, outra festa é realizada à beira mar baiana: a Festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia. 
Esse dia, 8 de dezembro, é dedicado à padroeira da Bahia, Nossa Senhora da Conceição da Praia, sendo feriado municipal em Salvador. 
Também nesta data é realizado, na Pedra Furada, no Monte Serrat em Salvador, o presente de Iemanjá, uma manifestação popular que tem origem na devoção dos pescadores locais à Rainha do Mar - também conhecida como Janaína
Na capital da Paraíba, a cidade de João Pessoa, o feriado municipal consagrado a Nossa Senhora da Conceição, 8 de dezembro, é o dia de tradicional festa em homenagem a Iemanjá. 
Todos os anos, na Praia de Tambaú, instala-se um palco circular cercado de bandeiras e fitas azuis e brancas ao redor do qual se aglomeram fiéis oriundos de várias partes do Estado e curiosos para assistir ao desfile dos orixás e, principalmente, da homenageada. 
Pela praia, encontram-se buracos com velas acesas, flores e presentes.
 Em 2008, segundo os organizadores da festa, 100 mil pessoas compareceram ao local.
*
Ficheiro:Presente para Iemanja Praia do Rio Vermelho3.jpg
*
Imagem de Iemanjá na oferenda.
*
Festa Do Rio Vermelho
*
A tradicional Festa de Iemanjá na cidade de Salvador, capital da Bahia, tem lugar na praia do Rio Vermelho todo dia 2 de Fevereiro. 
Na mesma data, Iemanjá também é cultuada em diversas outras praias brasileiras, onde lhe são ofertadas velas e flores, lançadas ao mar em pequenos barcos artesanais.
A festa católica acontece na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, na Cidade Baixa, enquanto os terreiros de Candomblé e Umbanda fazem divisões cercadas com cordas, fitas e flores nas praias, delimitando espaço para as casas de santo que realizarão seus trabalhos na areia.
No Brasil, Iemanjá na versão de Pierre Verger, representa a mãe que protege os filhos a qualquer custo, a mãe de vários filhos, ou vários peixes, que adora cuidar de crianças e animais domésticos.
*
Ficheiro:Praia do Rio Vermelho com oferendas para Iemanja.jpg
*
Iyalorixá e filhos na entrega da oferenda a Iemanjá.
*
Cuba
*
Em Cuba, Yemayá também possui as cores azul e branca, é uma rainha do mar negra, assume o nome cristão de La Virgen de la Regla e faz parte da Santeria como santa padroeira dos portos de Havana.
Lydia Cabrera fala em sete nomes igualmente, especificando bem que apenas uma Iemanjá existe, à qual se chega por sete caminhos. 
Seu nome indica o lugar onde ela se encontra.
*
Acontecimentos extraordinários
*
No ano de 2008, dia 2 de fevereiro, a Festa de Iemanjá do Rio Vermelho na Bahia, coincidiu com o Carnaval. 
Os desfiles de Trios elétricos foram desviados da região até o fim da tarde, para que as duas festas acontecessem ao mesmo tempo.
Antecedendo o réveillon de 2008, devotos da Orixá das águas, estiveram nesse momento, com suas preces dirigidas a um arranha-céus, em forma de um monólito negro, na praia do Leme em Copacabana onde era costume, no último minuto do ano, surgir uma cascata de fogo, no topo desse monólito, iluminando o entorno bem como as oferendas.
Todo réveillon, principalmente na Cidade do Rio de Janeiro, no bairro de Copacabana, milhares de pessoas se reúnem para cantar e presentear Iemanjá, jogando presentes e rosas no mar.
*
Fonte de Pesquisa:

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...